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Perspectivas para o Plano Safra 23/24: o que produtor pode esperar?

Segundo David Télio, especialista em crédito e diretor comercial da Terra Magna, a expectativa de crédito para o Plano Safra é alta

Nos dias que antecedem a divulgação do novo Plano Safra, agricultores e pecuaristas permanecem preocupados com a disponibilidade de recursos em meio a um crédito cada vez mais escasso e caro.


Para discutir essa questão, o Mercado&Companhia entrevistou David Télio, especialista em crédito e diretor comercial da Terra Magna.


Canal Rural: Com a divulgação do novo Plano Safra, muitos agricultores e pecuaristas estão preocupados com a disponibilidade de recursos. Como você enxerga a procura por crédito neste momento?


David Télio: De fato, a procura por crédito tem aumentado bastante. Nos últimos meses, houve um aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano passado, considerando recursos livres. Esse recurso permite que o banco utilize as Letras de Crédito do Agronegócio para financiar o produtor rural com taxas um pouco mais altas do que as subsidiadas. No entanto, a média das taxas ainda é de cerca de 12,5% ao ano, o que é bem mais baixo do que os juros praticados atualmente. Além disso, muitos produtores que antes resistiam em tomar crédito rural por conta da burocracia e documentação agora estão mais inclinados a fazê-lo por causa do custo mais alto de outras opções de crédito.



Canal Rural: E qual é a expectativa para o volume de crédito rural deste ano?


David Télio: A expectativa é bastante alta, com um volume até maior do que o ano passado. No entanto, os juros ainda são um obstáculo para muitos produtores. Infelizmente, não vemos a inflação ceder a níveis que permitam ao Banco Central reduzir a taxa Selic, então não há perspectiva de uma taxa muito menor do que 12,70% ao final do ano.



Canal Rural: E como os produtores podem contornar esse cenário de juros altos?


David Télio: Uma solução tem sido buscar outras formas de crédito, como aliciar com bancos e mercado de capitais. Embora as taxas não sejam tão baixas quanto as do crédito rural, essas alternativas permitem acesso ao crédito, que é fundamental para os produtores. O volume do mercado de capitais está muito maior do que no ano passado, o que é uma boa notícia.



Canal Rural: Na última semana, o BNDES anunciou uma linha de financiamento rural em dólar com taxa fixa destinada a produtores que tenham receitas ou contratos em dólar. Como essa medida pode movimentar o mercado de crédito?


David Télio: Essa é uma medida muito interessante, especialmente para o segmento de máquinas e equipamentos agrícolas, que precisam de prazos mais longos de financiamento. Com uma taxa fixa de 7,59% e dois anos de carência em 120 meses para pagar, é uma condição perfeita para a aquisição desses equipamentos. Isso é fundamental para que os produtores possam melhorar seu parque fabril e adquirir tecnologia. No entanto, ainda há a preocupação com a queda dos preços dos insumos, como fertilizantes, o que pode afetar o crescimento do setor. Por isso, é importante que haja acesso a crédito para não interromper esse desenvolvimento.


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