Artigo 2020: Cenários para o agro brasileiro



As condições climáticas e econômicas esperadas possibilitam a ampla produção, projetada, no momento, em 256 milhões de toneladas, ante 243 milhões de toneladas este ano. Saímos de um El Niño e entramos em fase neutra, sem configuração de La Niña pela frente. Então, houve certo atraso de chuvas no Brasil central, que se regularizaram a partir de novembro. Teremos boas chuvas na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) a partir de dezembro – um pouco tardio, mas a ponto de se poder fazer boa safra.


O Sul pode ter estiagens localizadas, mas sem riscos de secas extremas. Quanto ao segmento de carnes, o crescimento das exportações do Brasil não será perdido após a resolução da Peste Suína Africana (PSA) na China e diversos outros países da Ásia, Europa e África. Há tendência de a China, como ocorre com grãos, se tornará importadora líquida de carnes. Ao conquistar a confiança dos chineses neste momento ruim, o Brasil provavelmente se tornará um dos grandes fornecedores para o mercado chinês. Neste ano, a China tem sido a principal compradora da carne brasileira. O acordo entre Mercosul e União Europeia, se aprovado, será mais positivo do que negativo para o agronegócio brasileiro. A UE, hoje, é a segunda maior compradora de produtos agrícolas do Brasil. O novo Censo Agropecuário mostra um agronegócio em forte avanço no Brasil. O número de tratores cresceu 49,9% no período e chegou a 1,226 milhão de unidades. Já o número de estabelecimentos que utilizavam este tipo de máquina aumentou em mais de

200 mil, alcançando um total de 734 mil produtores em 2017.


Para 2020, a alta do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve superar 2%. A inflação está completamente sob controle. As previsões para o IPCA (o índice oficial de preços) em 2019 apontam para 3,2%. A projeção para a inflação em 2020 é de 3,6%. O Brasil é o maior vencedor da disputa comercial entre Estados Unidos e China no setor agrícola, em virtude da maior demanda chinesa por produtos agrícolas brasileiros.


No longo prazo, mesmo que Estados Unidos e China fechem um acordo comercial, é improvável que os importadores chineses mudem completamente de fornecedor. Com o acirramento do conflito comercial, os importadores chineses têm buscado reduzir as compras de produtos agrícolas norte-americanos. Mesmo que haja um acordo entre Estados Unidos e China – o que poderá acontecer –, o Brasil terá benefícios na relação comercial com a China no longo prazo. A confiança, depois que se quebra, é difícil recuperar. Quando a China compra menos produtos agrícolas dos Estados Unidos, compra mais do Brasil.


O governo chinês reconhece o Brasil como um parceiro comercial estratégico. As vendas externas de soja foram responsáveis por 43% dos US$ 64 bilhões exportados pelo Brasil aos chineses. São vários mercados que poderão ser mais explorados pelo agronegócio brasileiro, como o de carnes, soja, algodão, café, suco de laranja, frutas, tabaco, dentre outros. A demanda chinesa por carne suína e de outros tipos vem crescendo e a Peste Suína Africana, que reduziu os planteis de suínos no país, deve abrir oportunidades de exportação para o Brasil. No curto prazo, o Brasil tem tido benefícios com os conflitos entre Estados Unidos e China, pois o aumento das taxas impostas por ambos países torna as negociações entre eles mais custosa.


Novembro/2019

Carlos Cogo

Consultor em Agronegócios

Cogo Inteligência em Agronegócio

www.carlosocogo.com.br



Artigo assinado que não expressa, necessariamente, a opinião da Unimassey.

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